senai escolas padrão modular- premiado pelo iab/sp

senai escolas padrão modular- premiado pelo iab/sp

projeto de sistema modular padrão para a implantação de escolas técnico industriais do senai no estado de são paulo. mesmo padronizado, o sistema permitiu o projeto e a construção de dez unidades em cidades com vocação industrial diversas, como a alimentícia, a petroquímica, a automobilística ou a movelaria, entre outras. as diferentes escalas regionais e os distintos terrenos também puderam ser enfrentados pelo sistema desenvolvido, o que permitiu a construção de conjuntos de 5.000 a 15.000 m2.

  • sobre
  • ficha técnica
    • local: - SP - Brasil

    • Arquitetura: Claudia Nucci e Valério Pietraroia

      Rafael Montzi, Renata Buschinelli, Thalita Oliveira, Juliana Guarnieri e Carolina Laterzza de Almeida

      Paisagismo: Koiti Mori e Klara Kaiser Arquitetos Associados

      Estrutura Metálica: Heloisa Marangoni – Cia de Projetos Ltda

      Estrutura Concreto: Claudio Puga & Engenheiros Associados

      Fundações: Zf & Engenheiros Associados

      Elétrica: Projetécnica Engª de Projetos Ltda

      Hidráulica: MBM Engenharia Ltda

      Ar Condicionado: Climaplan Projetos Térmicos Ltda

      Consultoria Caixilharia: SSG Consultoria

      Conforto Ambiental: Green Consulting Arquitetura e Engª. Ltda

      Maquete: Gabriel Pietraroia e Vitor Endo

      Maquete Eletrônica: Estúdio Eter

      Orçamentos: Ana Flora Anacleto

      Fotos: RT Imagens


A partir da elaboração do projeto padrão e de sua implantação piloto, nossa equipe desenvolveu outras 11 implantações (Valinhos, Araras, Sorocaba, Cotia, Paulínia, Registro, Votuporanga, Araçatuba, Mairinque, Guaratinguetá e Iracemápolis), das quais 8 foram foram construídas.

A proposta arquitetônica se define dentro de uma visão de sistema e não da repetição do modelo padrão, como previa inicialmente o contrato. Isto significa estabelecer soluções de ordem espacial e construtiva, baseadas em relações arquitetônicas e urbanas de ordem formal e simbólica capazes de responder às imprevisibilidades programáticas e contextuais.

Quando falamos em sistema, estamos nos referimos ao projeto como sistema que constrói espaços e relações que interagem interna e externamente. Cada edificação que compõe o padrão tem pouco valor arquitetônico isoladamente. Sua força é decorrente do conjunto edificado, que permite que as relações citadas respondam à complexidade do entorno.

Se nossa realidade vem se transformando em ritmo acelerado, podemos admitir que a arquitetura para a aprendizagem deve criar não somente as possibilidades de evolução baseadas na flexibilidade espacial, mas sobretudo, abrir caminho para as novas relações sociais que ainda pouco conhecemos.

Neste caso, a arquitetura trabalha com um significativo grau de incerteza. Num primeiro momento, o contexto indefinido obriga à reflexão sobre as diversas variantes geográficas e ambientais que encontramos no território definido, ou seja, todo o estado de São Paulo. Mas vale lembrar que a realidade a ser encarada pelo projeto não se limita às condições naturais. É na diversidade do ambiente urbano ou suburbano, em metamorfose constante, que a arquitetura proposta encontra os maiores desafios e a qual deverá responder com maior objetividade.

Para que isso seja possível, o projeto propõe, entre outras estratégias, qualificar os lugares intermediários, originados das relações de associação e de proximidade entre as edificações. Os ambientes de convivência e troca devem cumprir um papel primordial nas inúmeras implantações previstas, ou seja, ser um dos fundamentos, um dos elementos constitutivos do projeto, de forma a participar da desejada evolução programática e de estabelecer as necessárias interações urbanas, como pode ser observado nas simulações e nas imagens das obras em andamento.

Ainda que os programas para a aprendizagem técnico industrial trabalhem com grande precisão, há também determinada imprevisibilidade presente, que pode ser divididas em duas categorias principais. Em primeiro lugar, a vocação industrial das cidades do estado de São Paulo são extremamente variadas, o que interfere diretamente na definição das demandas de infraestrutura, insumos e de recursos humanos. Tal vocação vai desde a indústria calçadista, a de confecções, até a eletroeletrônica e petroquímica, passando pela automobilística e pela de alimentos, entre outras, cada uma com características extremamente distintas.

Em segundo lugar, sabemos que o setor industrial vive em permanente evolução, gerada pela tecnologia e automação. Para tanto, mais do que se adaptar às diversas vocações industriais, o projeto deve aproximar os diversos lugares da aprendizagem como maneira de oferecer caminhos e oportunidades de novas práticas produtivas. Em outras palavras, não se trata de bem definir isoladamente objetos arquitetônicas especializados e aproximá-los para que desempenhem sua função. Seria mais do que isto, ou seja, o projeto os coloca em frequente tensão ao investir na interrelação de sua dinâmica programática e ao reservar especial atenção à materialização de situações de aprendizagem, ou seja, trata-se de potencializar as conexões dos espaços entre si e com os espaços intermediários.

Do ponto de vista construtivo, foram definidas soluções que atendem às condições citadas acima, dentro de parâmetros de racionalização modular o que permite sua materialização em todas as regiões do estado de São Paulo, como pode ser observado nas imagens das obras em andamento.

O projeto, assim, constrói um padrão, como fora solicitado, porém ao se basear na noção de sistema, oferece liberdade para cada situação proposta.

É importante lembrar, ainda, a importância simbólica que o equipamento destinado à aprendizagem industrial deve assumir. Ao repetir o projeto em cada implantação, é possível construir uma identidade sem a necessidade de fazer o mesmo, o igual e sim reservar grande espaço ao diferente, ao imprevisto. Ao reconhecê-lo, pode-se estabelecer processos de apropriação que cria o novo, ainda que baseado na repetição. Como acontecimento, o projeto baseado no sistema reapropria as condições do ambiente sem que seja decorrência estrita do contexto.